Velozes e Furiosos – da tunagem ao submarino perseguidor – Cinefilia com Vinícius Lemos (veja trailer oficial!)


Veja Trailer Oficial (Universal Pictures)

É muito irônico que 16 anos depois eu tenha me proposto a escrever e assistir a todos os filmes da franquia Velozes e Furiosos. Falo isso porque quando o primeiro longa saiu, em 2001, terminei de assisti-lo com tamanho desprezo que é possível explicar minha preguiça em relação às continuações. Mas você sabe, o apelo de um blockbuster é grande e quando você pesca as críticas elogiando o filme que tem um submarino perseguindo um grupo de carros, talvez seja a hora de você repensar sues preconceitos.

Tenho que admitir que o filme original ganhou alguns pontos comigo com o passar dos anos. Mas nada vai me tirar a má impressão de que ele é uma cópia com carros de Caçadores de Emoção – o clássico noventista que colocava Keanu Reeves contra Patrick Swayze. Entretanto, como eu já disse antes, o fator humano (veja só) conta muito mais que os planos-detalhe em bundas ou motores em combustão. Você, em algum momento – e talvez por repetição -, passa a acreditar na relação entre a família que Vin Diesel tanto presa e passou a construir com base na amizade entre seu personagem, Toretto, e o de Paul Walker, Brian.

Não é à toa que com o passar do tempo e a morte prematura de Walker, o momento de despedida do personagem/ator se torna a única passagem verdadeiramente emocionante em oito longas com carros acelerados e cenas cada vez mais absurdas. Em termos qualitativos, a franquia só ganhou com a liberdade em relação às cenas de ação – e também em relação às leis da física, seja a gravidade ou outras forças.

Assim, depois de voarem num Lykan Hypersport entre torres em Abu Dhabi em 2015, a turma de Diesel (ator mais adequado para liderar os filmes seria impossível) volta aos cinemas nesse ano desviando torpedos com as mãos e em meio ao ataque de carros zumbi. Mas as peripécias já eram bem criativas, como um cofre sendo arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro no quinto filme da série ou tanques sendo vencidos por esportivos em uma rodovia. Tudo sempre acompanhado por acidentes espetaculares em que ninguém se fere pra valer.

Beira o surreal como a franquia de nicho, sobre pegas, tuning e uma trama policial minimamente realista fosse se tornar algo sobre super agentes que trabalham em missões que nem Ethan Hunt sonhou em ter que enfrentar. Veja bem, em +Velozes +Furiosos, é embaraçoso como a grande cena de ação é um grande mico mesmo se não houvesse as gigantes sequências de ação veiculares dos atuais filmes para ser comparada. Não é à toa que Velozes 4 seja um tipo marco zero para atual fase. É um filme com mais grana, melhor direção (Justin Lin, que dirigiu quatro das oito produções) e um roteiro que busca criar um novo cânone. Repare como a cena inicial desse corrige o bobo ataque a um caminhão que vimos no primeiro longa.

Não, a franquia Velozes e Furiosos de repente não se tornou uma queridinha para mim. Entretanto é um caso de sucesso em que o protagonista chegou a duvidar de seu futuro – lembre-se que Vin Diesel não quis fazer a primeira continuação e esteve apenas em uma ponta em Desafio em Tóquio -, e que foi reformulada de tal maneira que conseguiu em seu quinto capítulo, aquele que abriu as portas para a qualidade real de um filme de ação. OK que tenha vacilado feito na sexta produção, mas voltou mais maluco que nunca no sétimo filhote e agora ganha tamanho status que em seu oitavo filme consegue ter no elenco nomes como Helen Mirren e Charlize Theron.

Nada mal para quem tinha como maior pretensão mulheres gostosas e motores barulhentos.

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