‘Vai Malandra’ bate recordes

Com uma versão açucarada e polida de uma bossa nova pop, ela deu seu primeiro passo. Depois, no segundo, travou o outro flanco com uma canção de pista de refrão pegajoso. Apostou, então, num reggaeton bem caliente: “Xeque”, disse Anitta. Armou a isca, preparou a armadilha. Na última segunda-feira, veio o xeque-mate. Com um funk, sua raiz sonora, injetado da viciante batida do trap, uma participação gringa e os já conhecidos versos em ascensão antes do refrão, Anitta deu sua volta ao mundo.

Chamou a atenção dos mercados do exterior (o foco era o público norte-americano e latino) com gêneros mais palatáveis ao gosto do público estrangeiro, jogou o jogo do pop, e voltou ao Morro do Vidigal, favela da zona sul do Rio, onde gravou “Vai Malandra”, o quarto e último passo do projeto Check Mate, uma iniciativa de lançar quatro videoclipes de músicas inéditas, um por mês.

Os números estão aí para comprovar o acerto. O videoclipe de “Vai Malandra” se tornou, em dez horas, o melhor lançamento brasileiro da história do YouTube, com 7,8 milhões de visualizações. Nem mesmo as acusações de assédio sexual contra o diretor do clipe Terry Richardson foram capazes de barrar a avalanche virtual da chegada do vídeo – Anitta, ao saber dos casos contra o também fotógrafo emitiu um comunicado no qual informava que seguiria com o lançamento de “Vai Malandra” em respeito à comunidade de moradores do Vidigal, que participam ativamente no projeto.

Na parada de músicas mais tocadas no serviço de streaming Spotify – hoje mais importante e significativo do que os números de vendas de discos –, Anitta conseguiu emplacar “Vai Malandra” entre as 50 mais executadas em menos de 24 horas de lançamento. O lance é mais do que marqueteiramente genial – embora seja importante reforçar que nada foi feito sem o auxílio de um incontável número de marcas, apoiadores, cifras e todos os integrantes da atual máquina do mercado fonográfico de massas. E tudo vem de um interesse pela internacionalização da imagem da cantora, de nome Larissa, de 24 anos, e vinda da zona norte do Rio. É, obviamente, fruto de um olhar atento ao mercado internacional, cujo apreço pela música latina ganha força e coroou “Despacito”.

Cantora recebe elogio do Detran do Rio

Anitta entrou para a lista de personalidades que chamaram atenção do Detran do Rio de Janeiro nas redes sociais. Mas, em vez de levar uma bronca por ter cometido alguma infração, a cantora ganhou um elogio do órgão de trânsito. “Malandra que é malandra só vai de capacete. #VaiMalandra #SejaEssaPessoa”, escreveu o Detran-RJ no Twitter. O órgão costuma comentar em publicações de artistas que dão “maus exemplos” ao postar vídeos ou fotos em que parecem cometer infrações, como não usar capacete ou dirigir enquanto usa o celular. No vídeo, a cantora aparece pegando carona na garupa de uma moto, mas usando capacete.

FOTO: YOUTUBE/REPRODUÇÃO
anitta
Recado. Na placa da mototáxi usada por Anitta está o número (1256) do projeto de lei que tenta criminalizar o funk. Para a cantora, essa tentativa de criminalização do gênero é um “absurdo”.
FOTO: YOUTUBE/REPRODUÇÃO
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Sem correção. No clipe, a cantora deixa suas celulites à mostra. A decisão dividiu opiniões. Anitta rebateu a polêmica: “Não quis me esconder atrás dos tratamentos de imagens ou photoshop”.

Recorde

Segundo o levantamento inédito da SEMrush, líder mundial em marketing digital, Anitta registrou mais de 3,4 milhões e procuras em ferramentas de pesquisas como Bing e Google em 2017.

Com esses números, a cantora ultrapassou com boa vantagem o jogador de futebol Neymar, anterior detentor do trono. Ao todo, o camisa 10 do Paris Saint-Germain obteve cerca de 3,1 milhões de pesquisas.

A atriz Larissa Manoela fecha o pódio em terceiro lugar com quase 3 milhões de buscas na internet brasileira.

Hit do verão 2017, “Olha a Explosão” impulsionou a carreira do MC Kevinho e o nome do funkeiro surgiu entre os mais procurados. Foram mais de 1,3 milhão de buscas.

Kevinho ficou à frente da cantora Ivete Sangalo, com apenas 765 mil — apesar de todo o burburinho causado pela gravidez.

Diretor do vídeo é acusado de assédio por mais 2 mulheres

SÃO PAULO. Diretor do novo clipe de Anitta, Terry Richardson é acusado de mais dois casos de assédio sexual. Conhecido por sua estética sensual, ele é nome controverso no mundo da moda e foi recentemente banido de clicar qualquer tipo de conteúdo mundialmente para a editora Conde Nast, responsável por publicações como “Vogue” e “GQ”.

Outros dois casos de assédio sexual envolvendo o norte-americano vieram à tona. A estilista Lindsay Jones e a modelo Caron Bernstein tornaram públicas suas denúncias.

Lindsay contou que o assédio aconteceu há dez anos e, desde então, ela tenta esquecer sobre o caso. De acordo com seu relato, ela teria combinado de encontrar o fotógrafo para um café, entre 2007 e 2008, mas acabou saindo chorando do estúdio de Richardson. Ela dividiu que, ao chegar no local, o fotógrafo teria abaixado as calças e a encurralado em um canto, obrigando-a ficar de joelhos.

Na mesma semana, Caron Bernstein procurou o site NY Daily News para dividir o que passou com o fotógrafo em 2003. Após discutir como seriam as fotos em uma reunião, ele teria começado a tirar diversas fotos, ainda na cadeira, até que começou a forçar seu pênis na boca da modelo.

Anitta disse que, após tomar conhecimentos sobre as acusações, avaliou o que poderia ser feito juridicamente. “Estudamos todas as possibilidades, que foram além das questões jurídicas, passando também pelo envolvimento emocional, levando em consideração o imenso trabalho digno de todos os artistas e colaboradores que de alguma maneira fizeram este clipe acontecer”, contou a cantora.

FOTO: YOUTUBE/REPRODUÇÃO
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