Um transtorno na família

fotoartigo3A família é, sem dúvida, o maior ponto de apoio do paciente com transtorno mental.

Quando se fala de família não se considera apenas os laços de sangue, mas também os laços afetivos, o núcleo com quem se mora, convive e quando há relação de confiança mútua. Muitos dos que estão próximo ao doente se questionam sobre seu papel. Se perguntando como agir ou como ajudar alguns até contabilizam a parcela de “culpa” pelo adoecimento do familiar. Conflitos passam a existir ou se acentuar e os problemas atingem mais do que “apenas” o doente. O certo é que não há uma resposta, dica ou conselho exato para isso.

Pelo fato de as doenças psiquiátricas não serem doenças físicas, existe a crença de que a responsabilidade pela doença é do próprio doente. Então se forma uma rede de falta de credibilidade entre o doente em relação a si e entre o familiar e o doente. E assim se inicia a tendência de minimizar o problema com frases do tipo “vai passar”, “não é nada” ou mesmo “esquece isso”. Termos que desacreditam o paciente sobre sua doença gerando sentimento de angústia e falta de compreensão e apoio.

O que se percebe é que quanto mais estruturada, ou seja, quanto melhor estão estabelecidas as relações, melhor é o acolhimento e a harmonia da família. Para que haja uma ajuda efetiva no cuidado, a primeira coisa a se fazer é reconhecer o problema e entender o que é a doença. Passar a se informar do que se trata. Não menos importante é perceber como seu familiar enfrenta a doença: a doença é um diagnóstico, mas o adoecer é uma experiência peculiar de cada pessoa.

Entendendo-se isso, fica mais clara a necessidade de cada um. Talvez uma das coisas mais importantes para um membro da família seja sair de casa para passear: assim sendo, a tendência deste é de incentivar o paciente a fazer mais isto. Mas, será que esta é uma necessidade do próprio paciente? Até que ponto refletimos nossos próprios desejos e expectativas, no outro?

Na maioria das vezes o simples fato de estar ali para ser alguém com quem contar e se apoiar, sem julgar e sem criar expectativas, é a melhor ajuda a ser oferecida. Estar presente de forma compreensiva, incentivar e dar segurança é de grande valor. Por outro lado, é necessário que o familiar também saiba compartilhar suas angústias em relação ao cuidado com o doente, pois muitas vezes será desgastante e permeado por diversos conflitos.

Dangela Lassi é médica pela UFU e residente em psiquiatria na Santa Casa em São Paulo

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