Taxa de desemprego ampliado no Brasil é quase o dobro dos números oficiais

Qualificação profissional é apontada como única forma de ingressar e permanecer no mercado de trabalho.

Um estudo comparativo feito pelo banco Credit Suisse revelou que o Brasil está entre os recordistas globais do chamado desemprego ampliado. O termo diz respeito à soma entre os desempregados efetivos, quem faz bico por falta de opção e trabalha menos do que poderia e quem desistiu de procurar trabalho.

O levantamento indica que o Brasil tem a sexta maior taxa de desemprego ampliado entre 31 países desenvolvidos e emergentes que foram avaliados. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.

Os dados do terceiro trimestre de 2016, os mais recentes, mostram que a taxa de desemprego ampliada do Brasil bateu em 21,2%, quase o dobro do desemprego oficial, que nesse período alcançou 11,8%. Por esse critério, perto de 23 milhões de brasileiros estariam desempregados ou subutilizados.

Falta de qualificação intensifica problemática

Diante disso, nem precisamos mencionar que o desafio do poder público cresce à medida dos números. Enquanto isso, setores da sociedade civil e instituições de diversos segmentos mobilizam-se como podem. Uma universidade de Uberlândia (MG), entendendo a urgência da pauta, tomou a iniciativa de unir diversas empresas para oferecer vagas de trabalho durante um dia de mutirão.

Na primeira experiência, em que eram oferecidas 500 vagas de trabalho, a instituição recebeu três mil candidatos. Na segunda experiência, mais 700 vagas foram ofertadas e, junto com elas, workshops gratuitos para a população com foco no mercado de trabalho. E qual a surpresa?? Um número pequeno de interessados nos workshops, apesar dos temas relevantes para quem está à procura de emprego.

“Na 1ª edição do Portas Abertas, tivemos muitas vagas não preenchidas por falta de candidatos qualificados. Na 2ª edição, observamos o interesse reduzido das pessoas nos workshops que tinham foco no mercado. Isso demonstra, para nós, que a qualificação profissional é outro grande desafio do Brasil”, comentou a gerente educacional da Universidade Anhanguera, Fabíola Bento Soares.

Outra pesquisa, desta vez apresentada pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostrou a alta taxa de rotatividade nos setores que absorvem a força de trabalho, especialmente, jovens. “A pouca experiência e qualificação empurram os jovens para empregos com contratos mais instáveis. Não basta ingressar. É preciso permanecer empregado. E para isso, não há dúvidas de que o aprimoramento é o melhor caminho. Hoje, existem cursos em todas as áreas totalmente à distância ou semi-presenciais que possibilitam às pessoas estudarem ao mesmo tempo em que trabalham. A falta de conscientização da necessidade de qualificação profissional é tão séria no Brasil quanto à escassez de empregos”, alerta Fabíola Bento Soares.

Ciclo Comunicação

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