Sua memória está ruim? – Saúde Mental com Dângela Lassi

imagemartigo5A dinâmica do mundo atual exige cada vez mais que nossas funções mentais sejam potencializadas. E a memória é uma destas funções que, quando prejudicada, se torna uma importante queixa dos pacientes que procuram atendimento psiquiátrico. De adolescentes a idosos, o medo de estar perdendo a memória e de ter uma doença como Alzheimer é enorme. No entanto, a causa mais comum de problemas de memória é a falta de atenção, e não as síndromes demenciais como temido pelas pessoas.

O processo de construção da memória é complexo. De maneira a simplificar, podemos dividir sua formação em três etapas: percepção, conservação e reprodução. A primeira fase, chamada percepção, exige atenção e interesse, para que se grave a informação: é exatamente nesta etapa que a maioria das pessoas apresenta prejuízo. Em decorrência de estresse, excesso de informação no ambiente e mesmo transtornos de ansiedade, depressão e de déficit de atenção, a concentração da atenção e o interesse pela informação se dispersa, fazendo com que a informação seja mal percebida e, consequentemente, as outras etapas do processo de construção da memória sejam mal realizadas. A segunda etapa é a conservação, em que as informações adquiridas são repetidas e utilizadas, com associações entre elas: ou seja, quanto mais utilizamos um conhecimento, mais fixos estarão em nossa memória. A última fase seria a de reprodução, também chamada de evocação, ao se trazer à consciência memórias despertadas por pequenas “dicas” evocativas.

Portanto, o medo de estar se esquecendo das coisas é falso. O que na maioria das vezes ocorre é que a informação sequer foi percebida, por falta de atenção ou interesse.

Em todas as faixas etárias esta é a causa mais comum de falha de memória. Com o passar da idade outros transtornos se tornam diagnósticos diferenciais importantes para se atentar, como as doenças degenerativas e as síndromes demenciais, entre elas a famosa doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum em idosos, em geral acima dos 65 anos e que compromete não só a memória, mas outras funções mentais na sua evolução.

É importante estar atento a mudanças percebidas no funcionamento de nossa mente, como dificuldade de memorização, pois pode ser desde um alerta de sobrecarga de atividades mentais ou mesmo um sintoma de algum transtorno psiquiátrico como Ansiedade Generalizada, Depressão ou Transtorno de Déficit de Atenção. Na dúvida sempre procure um especialista para correta avaliação e orientação.

 

Dângela Lassi
Médica Psiquiatra
dangela_lassi@hotmail.com

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