Palácio dos Leões reúne histórias e curiosidades na praça Clarimundo Carneiro

Localizada no limite do bairro Fundinho com a região central de Uberlândia, a praça Clarimundo Carneiro abriga uma riqueza de histórias que, muitas vezes, pode passar despercebida aos olhos de quem vê. Um dos principais acervos dessas memórias pode ser encontrado no Palácio dos Leões, prédio que comemora 100 anos nesta quinta-feira (9) e que eterniza lembranças e curiosidades até o período contemporâneo.

Evolução da praça

Antes mesmo de ser praça, o local já reunia as memórias da população. O espaço recebeu as obras para a construção da Praça da Liberdade, nome que perdurou de 1915 até 1929, quando passou a ser chamada de Praça Presidente Antônio Carlos. O reconhecimento como Clarimundo Carneiro veio somente em 1961, nomenclatura que permanece até então.

Palácio dos Leões

Em novembro de 1917, a praça ficou marcada pela inauguração do Palácio dos Leões, o primeiro edifício de dois pavimentos erguido no município, projetado por Cypriano Del’Fávero. Durante a sua história, o prédio seria palco do Legislativo e do Executivo, além de outros serviços como a Coletoria Estadual e a Biblioteca Pública Municipal. Em 1985, passou a integrar a lista de monumentos pertencentes ao Patrimônio Histórico Municipal, antes de receber uma obra de restauração completa em 1993, quando ganhou um espaço no subsolo, incluindo novas adequações e um desenho universal com acessibilidade, projetado para atender toda a população.

Além de acompanhar o desenvolvimento do município, as mudanças trouxeram ainda mais dignidade para a memória do espaço. É o que afirma a secretária de Cultura, Mônica Debs. “O Palácio dos Leões é muito importante não apenas pelo aspecto arquitetônico, mas representa um período inteiro, a preservação da memória no coração de Uberlândia. Hoje em dia, o prédio continua abrigando nossa história com a função de Museu Municipal. É algo muito importante, ainda mais porque a nossa população também é formada por muitas pessoas que vem de fora. Acredito que espaços como o Museu Municipal trazem a dignidade necessária para conservar o passado e o presente do município”, disse.

Do carro de boi à cuspideira

Aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30, o Museu Municipal abriga diversas iniciativas, além de um acervo de 2.847 peças, distribuídas em categorias. Os materiais incluem roupas, acessórios, bordados, radiola, gramofone, itens de carros de boi preservados desde a antiguidade e até utensílios domésticos como uma cuspideira, como destaca Marília Borges, responsável pela montagem e exposição das relíquias no local.

“A cuspideira é uma peça de louça cheia de desenhos e decorações, que reflete um pouco da história do Palácio dos Leões. Ao contrário do que pode parecer para as gerações atuais, era um material utilizado na sala principal pelas famílias de alto poder aquisitivo, que fazia parte do cotidiano e nem todos tinham acesso. É um material que, assim como os outros, ajuda a preservar a memória do espaço. Além do Museu, as exposições também acontecem de forma itinerante no Teatro Municipal e na Casa da Cultura”, destacou.

Lembranças eternizadas

Apesar da mudança do tempo, o Palácio dos Leões não deixou de abrigar novas histórias. Desde que passou a ser palco do Museu Municipal, há 30 anos, as curiosidades passaram a fazer parte do cotidiano de quem frequenta o espaço. É o caso do artista plástico e designer Alexandre França, que guarda algumas lembranças desde o período da reinauguração.

“Lembro que, quando o prédio deixou de ser Câmara Municipal, ainda em obras, organizamos um desfile performático, como se fossem esculturas para serem vestidas. Fizemos tudo naquela época de transição e foi muito divertido. É algo que ficará marcado na minha memória. Outro fato legal aconteceu no início dos anos 90, quando fizemos um presépio muito bonito à frente do prédio”, conta.

Centenário do Palácio dos Leões

Nesta quinta-feira (9), o Palácio dos Leões completa 100 anos de história. A celebração acontece a partir das 19h, com um evento gratuito repleto de atrações para a comunidade. Com opções para todas as idades, a festividade inclui apresentações musicais, educativas, artísticas e gastronômicas, com destaque para um varal de exposição, show da Banda Municipal e da Orquestra Experimental de Uberlândia, entrega da maquete do complexo e palestra e mesa redonda com os arquitetos Alessandre Rende e Clayton Carilli, além do lançamento da Cartilha Virtual do Museu Municipal e uma praça de alimentação a céu aberto. Na sexta-feira (10), o espaço ainda abre as portas para uma sessão solene da Câmara Municipal aberta à população, com a participação de representantes do Legislativo e do Executivo.

SECOM

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