Os renascimentos da maternidade – Anedotas de mãe com Marina Caixeta

Não diferente das outras pessoas, eu sempre pensei na morte como a pior coisa que existe. É o fim de tudo que você fez, conquistou, viveu. E sempre vi o nascimento como algo inexplicavelmente lindo. Um sinônimo de esperança.

Sendo mãe, descobri que passamos por “mortes” e “nascimentos” todos os dias. Mas, é diferente. Esta “morte”, por exemplo, causa apenas saudade. Aquela nostalgia gostosa, as lembranças e memórias que ficarão sempre guardadas. Seja no coração ou também no HD do seu computador (obrigada tecnologia!).

Vou explicar. Pense que você tem um bebê de colo. Ele está ali, ele existe. Um belo dia, ele começa a engatinhar. E aquela criança que passava o dia a revezar o calor dos seus braços pelo berço? Não existe mais, ela… se foi. O tempo no colo é cada vez menor. Os pés das cadeiras, os enfeites que ficam nas partes mais baixas da estante, o sapato que está no chão… tudo fica mais interessante do que simplesmente passar o tempo apenas sendo segurado por você. Lembra o neném que usava fraldinha até pouco tempo atrás e agora faz tudo sentadinho na privada e usa calcinha/cuequinha? Aliás, ele não é mais neném. É uma criança que já fala, tem vontades. O bebê que comia tudo amassadinho, que mamava, que chupava chupeta. Ele “morreu”. Ele “morre” todos os dias e “renasce” surpreendendo e assustando a gente com tanto aprendizado.

Esta é a mais pura realidade. O dia que nossos filhos vêm ao mundo é apenas o primeiro de incontáveis nascimentos deles que acompanharemos pela vida. E por mais que o contato com os pais tende a ser cada vez menor, cabe a nós não deixar que se diminua a quantidade de beijos todos os dias, os carinhos, o “eu te amo” inesperado, as cócegas com gargalhadas renovadoras…

E não devemos nos prender ao que eles eram, mas sim, adaptar a cada novidade que aparece. Mas é inevitável querer guardar o momento. Eu me lembro da última mamada do meu Marcelo. Eu o contemplei por muito tempo e realmente gravei com tanta intensidade aquela imagem na minha cabeça que, fechando os olhos, ainda consigo sentir como foi aquele dia. Eu chorava com uma “tristeza” boa, um “pesar” gostoso, uma saudade que já era possível notar sem ao menos ter chegado.

E agora, ao escrever, choro novamente. De alegria. Olhando para ele, dormindo no tapete da sala (ocupando quase a metade dele), aproveitando este momento, mas já me deliciando com a ansiedade da espera pelo próximo Marcelo que virá…

Share on Facebook0Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on LinkedIn0Print this page