Onze pessoas são presas por roubo de veículos em Uberlândia

Onze pessoas foram detidas em uma operação da Polícia Federal em Uberlândia, na manhã desta quinta-feira (9), suspeitas de participarem de uma organização criminosa que roubava, receptava e comercializava veículos e peças de veículos roubados. Uma recuperadora de caminhões – considerada uma das maiores do país – seria a articuladora do esquema. Ao todo, pelo menos 44 mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos e cerca de 200 oficiais participaram da ação. Entre os presos estão os donos da empresa e laranjas que forneciam suas contas bancárias.

Segundo a Polícia Federal, entre as práticas da organização criminosa estão furto, roubo, receptação, adulteração de sinais de veículos, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. A operação, denominada “Transformers”, aconteceu por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-MG), que uniu os trabalhos da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, da Receita Estadual e da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Ainda segundo a Polícia Federal, mais de 200 policiais cumpriram, desde às 6h desta quinta-feira, dois mandados judiciais de prisão preventiva contra os donos da empresa, nove de prisão temporária, 11 de condução coercitiva e 22 de busca e apreensão; todos expedidos pela 1ª Vara da Justiça Estadual de Uberlândia e cumpridos na mesma cidade. Também foram apreendidos 28 veículos e uma lancha. A operação também bloqueou 10 contas bancárias, inclusive de laranjas, e apreendeu um imóvel. Durante a operação foi efetuada também uma prisão em flagrante do caseiro do imóvel apreendido, após os policiais localizarem no local uma arma de fogo sem registro.

Na sede da firma, um galpão de 20.000 m², a equipe localizou inúmeras peças da linha de reposição com sinais de identificação suprimidos. “Vamos fazer um levantamento para identificar o que é lícito e o que é ilícito. As notas fiscais têm que combinar com essas peças e já verificamos que várias não possuem esse ajuste”, destacou o delegado chefe da Polícia Federal em Uberlândia, Carlos Henrique D’Ângelo.

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início há seis meses, após a PF no Distrito Federal ter recebido notícias de que a recuperadora de caminhões, que se auto-intitula a segunda maior do Brasil e está há mais de 20 anos no mercado, estaria atuando com peças provenientes de “atividades ilícitas”. Segundo a Sesp, a empresa apresenta grande movimentação financeira, sem comprovar qualquer lastro contábil ou tributário para isso. Apesar de movimentar, mensalmente, mais de R$ 1 milhão, o pagamento de tributos da empresa seria praticamente insignificante e mais de 90% das notas fiscais seriam provenientes de empresas fantasmas de São Paulo, que forneciam notas fiscais falsas para acobertar as mercadorias e dar um ar de suposta regularidade. Segundo os responsáveis pela operação, o esquema resultou em uma sonegação milionária.

“A FICCO está levantando a origem do dinheiro produzido por um viés criminoso. No caso da receptação, por exemplo, resulta de diversos crimes violentos, como roubo, furto e latrocínio”, afirmou o coordenador de Integração de Inteligência da Sesp, Danilo Emanuel Salas.

Além da receptação e da sonegação fiscal, com previsão inicial de aplicação de multas de R$ 10 milhões, há também o crime de lavagem de dinheiro, já que os donos da empresa praticamente não apresentam bens patrimoniais em seus nomes, mas em nomes de laranjas, que também foram detidos.

Os investigados responderão por furto, roubo, receptação, adulteração de sinais de veículos, organização criminosa, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal e podem ser condenados a mais de 30 anos de prisão. Os presos serão levados para o presídio Jacy de Assis em Uberlândia, onde permanecerão à disposição da Justiça.

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