O Sindicato do Capital – Opinião com Diego Lassi

Sindicatos vivem um discurso anacrônico e raso acerca do que temos instalado quando se fala em capitalismo e a função do trabalhador no processo econômico.

Chega. Não dá mais pra colocar força de trabalho de um lado e dono dos meios de produção do outro. Aliás, nem cabem mais estas expressões. Já faz um tempo, e só não vê quem não quer ou não conhece mesmo, que as relações de trabalho têm mudado.

Quando Marx e Weber fizeram a leitura da conjuntura econômica e cultural da época viviam os resultados da Revolução Industrial, na qual o ganho do trabalhador estaria vinculado tão somente à sua necessidade de sobrevivência. Incrivelmente boa parte da classe política e intelectual ainda pensa as relações de trabalho dessa forma. Levantam suas bandeiras baseadas em uma exploração quase servil de funcionários e patrões. A eles tenho a dizer duas coisas: são bobos ou mal intencionados.

Em anos passados lutei muito contra os princípios e atitudes capitalistas, em grande parte, influenciado pela formação acadêmica e suas discussões sempre quentes que se resumiam “a vinho barato, um cigarro no cinzeiro” e conclusões cultas e revoltadas. Verdadeiros ativistas esquerdistas românticos. E nessa ordem mesmo…

Quantos janeiros se foram e algo já não se encaixava. Sindicatos vivem um discurso anacrônico e raso acerca do que temos instalado quando se fala em capitalismo e a função do trabalhador no processo econômico. A figura do “quase escravo”, que ganhava o suficiente para o pão e circo, figura operária de meados do século 18, deu lugar a uma nova força de trabalho baseada em conhecimento, qualidades pessoais e o próprio interesse.

Paradoxalmente o capitalismo que acentuou e deu novo corpo à sociedade do século 18, se reinventou e agora se baseia na capacidade de consumo para gerar riqueza. Para isto o próprio assalariado deve ter condições para participar do capital gerado. Consequência disso é a melhora em vários aspectos da vida social do indivíduo, como novas experiências, acesso a informação, qualificação e exigência de consumo.

Empresas adotam cada vez mais programas de aprimoramento e fidelidade para funcionários. Negociações são cada vez mais frequentes, trabalhadores estão cada vez mais exigentes com seus empregos e empregadores, sem falar nas inúmeras campanhas voltadas para a busca de quadro profissional.

Números de 2015 da Secretaria Nacional de Micro e Pequena Empresa, órgão vinculado ao Governo Federal, mostram que 85% dos empregos no Brasil são gerados por empresas de pequeno porte. O fato é que não cabe mais analisar o quadro atual sob o discurso polarizado entre empregadores e empregados. Eles estão mais próximos e, ouso dizer, mais iguais do que nunca.

Diego Lassi é editor do jornal Gazeta

Share on Facebook0Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on LinkedIn0Print this page