O Mágico de Oz na telona e mais uma redescoberta

Cinefilia! Vinícius Lemos conta como foi revisitar, desta vez na telona, um dos maiores clássicos do cinema internacional e que continua atualíssimo   

 

Eu não me lembro direito se era na madrugada do Natal ou do Ano Novo, mas havia se tornado um clássico: passava da meia-noite e a programação da Rede Globo tinha O Mágico de Oz como habitué. Também não sei quanto tempo essa tradição durou, mas sei que nas inúmeras vezes em que assisti à produção de 1939, aquele se tornou o que posso chamar de um “filme da vida”. Pois nessa semana tive a oportunidade de o ver novamente, mas na tela grande de um cinema. Bela experiência.

 

Redescobri O Mágico de Oz entre o fim da década de 90 e o início dos anos 2000, quando pude tê-lo em DVD na minha coleção. Pouco antes disso, havia me certificado que aquele não era apenas um musical infantil que fez o crianção aqui ficar encantado de tanto revê-lo. As qualidades musicais e o caprichado visual que refletiam a fantasia de sua própria época eram apenas dois dos motivos que levaram o filme a entrar na lista de melhores da História do Cinema – na minha opinião.

 

É preciso prestar atenção à entrega dos atores, cujas atuações têm muito de corporal. Repare nas composições físicas do Espantalho, Leão e Homem de Lata e perceba que o quase exagero deles é o contraponto exato para o recato de Dorothy. Judy Garland brilha, mas é preciso dar crédito para Ray Bolger, Bert Lahr e Jack Haley. Tanto quanto aos roteiristas Noel Langley, Florence Ryerson e Edgar Allan Woolf que criaram diálogos e usam piadas que ainda fazem rir 78 anos depois, como pude perceber na sessão especial de O Mágico de Oz. Melhor ainda foi ver a sala cheia para assisti-lo, diga-se de passagem. O que não é comum no especial de clássicos que essa cadeia de cinemas oferece.

 

O longa teve o maior orçamento de sua época (o IMDb aponta US$ 2,8 milhões) por causa de seus cenários gradiosos da Terra de Oz, efeitos especiais e fotografia colorida. Ganhou dois Oscars (Canção Original e Trilha Sonora) dos seis aos quais concorreu (perdeu os de Filme, Fotografia Colorida, Direção de Arte e Efeitos Especiais). O que ralmente não é justo é perceber o absolutamente incrível trabalho de Margaret Hamilton como a Bruxa Má do Oeste e descobrir que  ela não ganhou sequer uma indicação. Ironia: o diretor Victor Fleming perdeu aqui, mas venceu por outro gigante chamado …E O Vento Levou, que levou o prêmio de Melhor Filme da Academia em 1940. Para quem não sabe, O Mágico de Oz ainda foi um dos primeiros concorrentes à Palma de Ouro em Cannes.

 

Mais do que isso, a produção se transformou em influência para as artes em geral nas décadas seguintes. Na música, por exemplo, há uma série de canções que usa de elementos do filme. Entre as mais improváveis estão “The Frayed Ends Of Sanity”, do MetallicA, com uso da marcha da guarda da Bruxa Má do Oeste, e “The Farm”, do Aerosmith, que tem diálogos do longa. Nem preciso citar que a oscarizada “Over The Rainbow” é um dos maiores clássicos da música mundial, né? Ainda sobre o assunto, se popularizou com a internet a nunca confirmada ou negada sincronia entre a produção e o disco The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. As letras e até o ritmo das músicas seguiriam os eventos de Oz.

 

O caso é que aqui há uma série de acertos – e dos grandes. Uma história divertida, uma trama inventiva, imagens icônicas (a janela do quarto de Dorothy no tornado é um achado), elenco afiado e uma adaptação musical primorosa do livro infantil assinado por L. Frank Baum. Pelo encantamento que vem promovendo em quase oito décadas, O Mágico de Oz é um dos poucos filmes que se poderia dizer verdadeiramente de família. Toda ela hoje poderia se juntar e se divertir (ou se emocionar, quem sabe) com a jornada da garotinha que descobre que não há lugar como o nosso lar.

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