O cinema e o legado de ótimas trilhas sonoras – Cinefilia com Vinícius Lemos

Um das coisas mais legais que o Cinema nos proporcionou nos últimos anos foram as trilhas sonoras de Guardiões da Galáxia, o original e a recente continuação, que está cartaz. Conhecidas também como Awesome Mix Vol. 1 e Vol. 2, as compilações de músicas do diretor James Gunn para seus filmes Marvel nos relembraram como é bom ter uma trilha não original que combine com o filme e seja parte dele. Por isso que “Hooked on a Feeling”, do Blue Swede, foi tão marcante em 2014 e “The Chain”, do Fleetwood Mac, serve tão bem à história da continuação da equipe espacial. Sendo assim, gostaria de lembrar de ótimas trilhas modernas que pudemos ouvir nas últimas décadas.

 

Se James Gunn se tornou um tipo Quentin Tarantino, que revolucionou as trilhas com seus dois primeiros filmes, Cães de Aluguel e Pulp Fiction, nem preciso citar o segundo nesse texto. O cara se transformou em uma referência master. Mas há outros diretores em que você pode confiar e via de regra têm ótimas músicas não originais em seus filmes. Martin Scorsese é um dos mestres. Já em um dos seus primeiros longas, Caminhos Perigosos, de 1973, ele trouxe Rolling Stones e Eric Clapton para pontuar cenas. O que virou um tipo de regra para quase todas as produções dele. Lembre-se como Os Bons Companheiros termina magnificamente com “My Way”, na voz de Sid Vicious. Danny Boyle também não costuma errar na banda sonora, vide Trainspotting, Extermínio e Quem Quer Ser Um Milionário?. Com filmes como Quase Famosos e Vanilla Sky, Cameron Crowe mostrou serviço na seleção de músicas. Podem procurar sem medo esses caras.

 

Mas a história das trilhas não compostas para os filmes passa por álbuns específicos. A produção considerada precursora no uso de música modernas para criar clima é um filme experimental de 1964 chamado Scorpio Rising. Ao invés de diálogos, ele inclui, entre outros nomes, Elvis e Ray Charles. Na mesma geração surgiu Sem Destino, de 1969. Famoso por incluir “Born to be Wild”, do Steppenwolf, a trilha do longa tem ainda “The Weight”, do The Band, e “If Six Was Nine”, de Jimi Hendrix. Na década de 1990, um grande estouro foi o compilado para o sucesso O Guarda-Costas, que trazia Whitney Houston na regravação de “I Will Alaways Love You”, que ficou mais famosa que a original de Dolly Parton. Ainda na década de 1990 há o disco duplo da trilha de Forrest Gump, com uns 30 artistas do calibre de Bob Dylan, The Doors, Creedence e Lynyrd Skynyrd. E se você já assistiu a Alta Fidelidade, sabe que aquela foi uma década bem produtiva para esse tipo de disco – tinha até Jack Black cantando Marvin Gaye.

 

Trilhas recentes também não ficam atrás e vamos além de Guardiões. Se La La Land ganhou Oscar de trilha original, o trabalho anterior do diretor Damien Chazelle, Whiplash, de 2014, trouxe uma seleção jazzística primorosa, com destaque para “Caravan” e “Whiplash”. Assim como A Vida Secreta de Walter Mitty, que caprichou na escolha de “Space Oddity”, do Bowie, e de “Wake Up”, do Arcade Fire. De 2009, você pode separar o ótimo álbum de 500 Dias com Ela e escolher das 16 músicas, qual é melhor entre The Smiths, The Temper Trap, Daryl Hall & John Oates e outros.

 

Aliás o novo século foi muito bem aberto com o musical Moulin Rouge!. A mistura maluca, mas muito bem encaixada de clássicos da música pop ganhou alguns dos melhores números da história dos musicais, como no medley do Elefante. Nele, Beatles encontra U2, que topa com Kiss, que ainda cita Elton John, também canta Bowie e tem Sweet. Este, o mesmo que recentemente embalou o trailer de Guardiões da Galáxia Vol. 2 com sua excelente “Fox on the Run” e a roda das ótimas trilhas não para. Ainda bem.

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