Moska faz show na sexta em Uberlândia – InSide com Marina Caixeta

Um dos mais importantes compositores da música brasileira fala com nossa colunista Marina Caixeta sobre sua carreira em entrevista exclusiva!

Sensibilidade, amor, emoção. São esses sentimentos que o cantor Paulinho Moska inspira em seus fãs nos seus 20 anos de carreira. Considerado um dos melhores da nossa música popular brasileira, ele presenteará Uberlândia com sua presença no dia 12 de maio, no Teatro Municipal de Uberlândia e nos concedeu uma entrevista exclusiva sobre a carreira e também o que o público pode esperar para o show.

 

MC – Nesses 20 anos de carreira, entre composições, shows, músicas em novelas, enfim, vários trabalhos realizados com tanto sentimento e capricho, qual mais te marcou?

PM – Gravar um disco autoral é sempre um momento especial, como um álbum de fotografias que retratam esses momentos. Amo a canção, todas as atividades que faço tem como fim melhorar minha composição. A canção é minha rainha.  Mas se tivesse que destacar algum projeto em especial, indicaria como um ¨marco¨ importante o Zoombido (série de tv que criei e apresenta no Canal Brasil há 11 anos). Já entrevistei, fotografei e cantei com mais de 250 cantores brasileiros e latinos. Essa quantidade/qualidade que experimentei foi uma verdadeira ¨Universidade¨ de composição.

MC – Seus trabalhos sempre têm tanto sentimento, carinho, amor, que é capaz de quebrar o mais duro dos corações. Como adquiriu tanta sensibilidade? Ou é algo que já nasceu com você? Como e quando decidiu usar isso como seu ofício?

PM – Acho que ¨sensibilidade¨ é algo que desenvolvemos durante toda a vida. Nascemos com muitas ¨tendências genéticas¨, mas nem sempre as seguimos. Num futuro próximo, quando uma pessoa nascer, os pais já saberão quais os seus ¨talentos¨ genéticos, mas todos nós somos ¨sensíveis¨ e sentimos o que percebemos. Isso significa que cada sentido (olfato, visão, tato, audição e paladar) envia mensagens para o cérebro sobre o que percebe do mundo. E no cérebro essas informações se misturam com a memória para gerarem os sentimentos. O coração não tem nada a ver com isso! Acho que o segredo é treinar os sentidos, apurar os ouvidos, o paladar, o olhar e isso se faz com conhecimento, arte, poesia, história, filosofia e ciência. Foi o que eu fiz, mas não sei se serve pra todo mundo, somos tão iguais e tão diferentes. Desde criança eu queria ser ¨artista¨, acreditei na curiosidade infantil sobre as coisas e continuei perguntando.

MC – Você acredita que o artista tem um papel perante à sociedade? Qual é o papel do Moska?

PM – Não acredito que deva se imputar um ¨papel¨ ao artista numa sociedade. O artista é aquele que, em sua natureza, enfrenta essa sociedade de papéis, sociedade burocrática, sistemática, corrupta, mal educada, machista, coronelista… isso é tudo o que a arte odeia. O artista é o grande médico do espírito, é o libertador do pensamento, é o fogo do tempo, o habitante da poesia, o encantador do amor. Eu poderia escrever mil frases para tentar definir o papel do artista e mesmo assim não conseguiria, porque o artista é, antes de mais nada, fugidio de significados e papéis… o artista é a personificação dos sentidos. Assim tento viver meus dias.

MC – Você é considerado um exímio compositor. O que você sente quando ouve as suas palavras sendo cantadas no mundo todo por artistas que, assim como você, têm grande renome e qualidade?

PM – É uma grande alegria descobrir novos sentidos de minhas próprias canções através da interpretação do outro. Na verdade, toda canção passa a ter mais potência quando outras vozes começam a dar eco às suas palavras. Cada intérprete canta de um jeito, com um arranjo diferente e isso faz parecer que não tem limites, é uma sensação de força e liberdade. Fui gravado por Maria Bethânia, Elba Ramalho, Marina Lima, Ney Matogrosso, Zelia Duncan, Lenine, Chico César, Maria Rita, Angela Ro Ro, Jota Quest, Frejat, Mart’nália e muitos outros. Um elenco incrível que me deu de presente novos sentidos para minhas canções. Sinto um privilégio maravilhoso.

MC – Quando um cantor tem uma música colocada como tema de novela, este é considerado um ponto alto da carreira dele. Até hoje, você emplacou 13 temas em trilhas da TV (11 com a sua voz), inclusive em novelas que fizeram muito sucesso, como “Zazá” e “Agora é que são elas”. Qual música e qual novela mais marcaram a sua carreira? Por que?

PM – O Brasil produz a melhor novela do mundo, sempre com uma produção muito cuidada e uma qualidade acima da média mundial. As canções que entram numa novela podem virar um hit ou não, depende do sucesso da novela, do personagem, da história, das rádios acreditarem e do público gostar. São muitas variáveis! Minha carreira é cheia de ¨pontos altos¨ (rs) porque minhas canções falam muito de amor e acabam servindo para as novelas. Fico feliz porque além desse amor aparente eu sempre crio uns jogos de palavras que libertam outros sentidos mais filosóficos ou críticos também e assim atinjo mais pessoas com meu pensamento e talvez as coloque para refletir um pouco.

MC – Desde pequeno você é apaixonado por coleções, visto que colecionava de fotografias e figurinhas a pedras e chaves. Seu gosto se tornou em um modelo de show, o ‘Violoz’, onde em um só evento você toca vários tipos de violão. Quando você percebeu que, usar gostos pessoais na sua profissão, seria uma boa ideia?

PM – É curioso, o que faço não considero uma ¨profissão, porque é muito diferente do trabalho da maioria das pessoas. O artista é aquele que opta por ¨trabalhar profissionalmente¨ com a própria vida. É uma mistura dos dois, são como irmãos siameses, a vida do artista é o seu trabalho e vice-versa, sua investigação sobre si mesmo e sobre como o mundo/a vida funciona é a sua ¨profissão¨. Não consigo dizer ¨quando¨ transformei meus gostos pessoais em minha profissão, porque me parece que sempre foi assim, eu sou a mesma criança que fui, fazendo a mesma coisa que fazia: o que gosto. Não houve ruptura, só continuidade de processo.

MC – Você, que preza tanto pela qualidade na letra, o que pensa sobre o mercado atual de música que tem cada vez mais espaço para canções com letras vazias, desrespeitosas e muitas vezes até com repetições cansativas de sílabas, enfim, letras sem sentido?

PM – Fui criança e adolescente numa época em que as rádios tocavam basicamente MPB (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Milton Nascimento, Elis Regina…). Escutar uma canção desses artistas era entrar em contato com um pensamento luminoso, mas ao mesmo tempo não tinha internet, só escutávamos os discos que comprávamos e as rádios. Hoje existem milhares de opções para escolher o que escutar, são muitas plataformas de todos os estilos, com uma variedade que nunca esteve à disposição por um preço tão barato. E tem muita coisa boa!!! O Brasil é um país enorme e cheio de diversidade musical e poética. Se o mercado está lotado de música de má qualidade é porque o ¨público¨ quer/aceita, se não quisesse era só escolher outra coisa. Estamos todos anestesiados pela cultura das ¨celebridades¨,  valorizamos quem é mais famoso (independente do que tenha feito) e não quem tem ideias luminosas ou projetos humanos. Lamento muito, mas continuo insistindo.

MC – Já veio à Uberlândia? Se sim, o que achou da cidade e dos uberlandenses?

PM – Acho que fui a Uberlândia com os Inimigos do Rei (banda em que atuei no fim dos anos 80) e não me lembro de ter cantado na cidade depois disso. É difícil falar dos lugares em que canto, porque é sempre muito rápido, acabo conhecendo o aeroporto, o hotel, um ou dois restaurantes e o teatro. Seria maravilhoso se em cada show eu pudesse ter um ou dois dias livres na cidade para conhecer os lugares, as pessoas, as singularidades de cada povo. Mas aí seria perfeito demais e eu não posso reclamar da minha vida!

MC – O que você espera para este show em Uberlândia, no dia 12 de maio?

PM – O VIOLOZ é um espetáculo diferente, é um show, mas também é um pouco teatro. Eu apresento cada instrumento (são 5 no total) com um texto e há uma variação de figurino entre cada violão, como se eles fossem capítulos de um livro ou atos numa história. É uma noite de ¨amor à vida¨, com canções que celebram esse sentimento. Quem levar amor pro teatro, vai receber em dobro. Levem seu amor!

Já perceberam que será inesquecível, né? Quem ainda não adquiriu o ingresso, entre no site www.boxt.com.br e garanta o seu!

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