Mineira ‘sem limites’ abre participação do Brasil nos Jogos de Inverno

Jaqueline Mourão. Mineira de Belo Horizonte, 42 anos, mãe e atleta. Um exemplo de perseverança e dedicação ao esporte olímpico. Nesta quinta-feira, quando descer as montanhas de PyeongChang, a competidora do esqui cross-country, a mais experiente da delegação brasileira em solo sul-coreano, chegará à sua sexta disputa de Olimpíada, igualando a marca de Formiga, as duas mulheres do país que mais participaram de Jogos Olímpicos em toda história. Foram duas Olimpíadas de Verão no Mountain Bike e outras quatro de Inverno, a única atleta do Brasil a participar dos dois torneios.

“Planejamos há quatro anos essa participação. Queria muito esta sexta participação histórica. Somando se a isso, eu esperei oito anos para finalmente poder competir na prova que mais gosto, os 10 km estilo livre. Como eles mudam o estilo a cada edição, a última vez que pude competir esta prova foi em Vancouver, em 2010”, comemora Jaqueline. “Este ciclo olímpico foi muito produtivo, um marco para o cross country brasileiro, onde estive presente em pódios em provas oficiais FIS (Federação Internacional de Esqui) na América do Norte a cada ano, algo inédito para o cross country brasileiro”, complementa a atleta

Fôlego de menina aos 42 anos. A idade não lhe é desculpa. Muito pelo contrário. Jaqueline garante que ainda está em busca de sua excelência esportiva. Por isso, o planejamento segue audacioso. A bem da verdade, ela gostaria de ser infinita. No entanto, enquanto esta possibilidade ainda não está ao seu alcance, lhe resta seguir até onde o corpo aguentar.

“Adoro praticar esporte, amo fazer parte da história do esporte brasileiro e como descobri o esqui cross-country tarde, ainda vibro com minha evolução. Ainda estou batendo minhas marcas, ainda sou a melhor brasileira no ranking internacional e enquanto estiver em ascensão e ganhando de atletas de times nacionais, vou continuar buscando minha excelência”, analisa.

Mas, e aí, Jaqueline? Vem mais Olimpíada por ai? “Planejo mais um ciclo olímpico”. Haja intensidade para acompanhar o ritmo da ‘veterana’ brasileira.

Graduada pela UFMG em Educação Física, mestre em Treinamento Esportivo, mãe do Ian, de sete anos, e da Jade, de apenas dois anos, Jaqueline é elétrica. Uma história que começou justamente graças às montanhas de Minas e que agora ganha os montes do mundo. “Vou ser sempre uma ‘mineirinha’ que cresceu em BH e adora tudo que vem de Minas. Tenho orgulho, sim, de ser mineira, de ter crescido nesse ‘mar de morros’ e ter sonhado em ter uma máquina (minha bike) que pudesse seguir o por do sol”, finaliza Jaqueline.

Enxugando o orçamento para driblar a falta de verbas
O atual ciclo olímpico não foi nada fácil para os atletas brasileiros. Os de inverno, principalmente. A ausência do apoio governamental, um dos tristes legados dos Jogos do Rio, atingiu em cheio o bolso dos competidores. Jaqueline Mourão teve que se virar como podia para manter suas esperanças de competição vivas. O famoso ‘jeitinho brasileiro’.

“Principalmente esse último ano (2017) foi muito difícil, com cortes das verbas e término do convênio com o Ministério do Esporte. Essa situação é ainda pior para os esportes de invernos porque a maioria dos atletas, assim como eu, não tem patrocínio. Apertamos bastante, cancelamos ‘training camps’, mas focamos na qualidade da equipe técnica e em provas somente na América do Norte para enxugar o orçamento”, relata a atleta brasileira do esqui cross-country 10 km estilo livre.

Mas quando se está lá, no palco olímpico, todo o esforço vale a pena.”Represento mamães e as mais experientes, que com muita dedicação e jogo de cintura para equilibrar a vida, continuam seus sonhos”, encerra Jaqueline.

Share on Facebook0Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on LinkedIn0Print this page