Logan e os produtivos 17 anos de Hugh Jackman como Wolverine – Cinefilia com Vinícius Lemos

Em 2000, vinha ao mundo aquele que se tornou o marco do novo século para os filmes de super-heróis, X-Men, dirigido por Bryan Singer. Com ele despontava um cara chamado Hugh Jackman, na pele e garras do mutante Wolverine. Australiano, o ator tinha feito apenas filmes em seu País, além de papéis na TV. Nessa semana, chegou aos cinemas Logan, filme que marca a despedida de Jackman de seu papel mais notório, 17 anos e oito filmes depois.

Com cara de galã clássico e boa presença em cena, Hugh parecia uma aposta perigosa, segundo a FOX, para quem Singer dirigira a estreia dos X-Men na tela grande. O cineasta, contudo, tinha certeza da escolha do então desconhecido para o popular personagem. Revisando a “carreira mutante” do ator, é possível perceber que deu certo, mesmo com um grande tropeço pelo caminho. Até porque Logan se mostrou o ponto alto no fechamento de cortinas para Jackman como Wolverine.

Adulto em suas relações e por sua violência gráfica, o filme se passa num futuro poeirento e sem esperanças para o personagem. Influenciado pela obra Velho Logan, escrita por Mark Millar e ilustrada por Steve McNiven, o filme ainda tem um professor Charles Xavier decadente e beirando a demência, além do cansaço quase insuportável de seu protagonista manco e cheio de cicatrizes – bem diferente do fator de cura rápido de outrora.

Jackman defende seu personagem com a melhor atuação até então, que usa a ferocidade já vista em outros longas combinada com um elemento ainda não visto: uma forte ligação a uma garotinha de 11 anos criada em laboratório e com os mesmos poderes do animalesco Wolverine. Laura meio que é uma forma de Logan se deixar viver novamente depois de tanto arrependimento e feridas.

O arrependimento, contudo, fica apenas para o personagem que, enfim, chegou à maturidade no Cinema. Para o ator, a vida foi bem interessante nessas quase duas décadas. O único porém, é possível argumentar, está na enrascada chamada X-Men Origens – Wolverine, primeiro filme solo do personagem. Uma bagunça genuína, o longa subestimou a plateia e se transformou num circo sem graça com um roteiro bobo.

Do protagonismo claro na equipe X na maior parte dos longas desse universo, Jackman se destacou mesmo quando o filme dividiu a crítica, como em X-Men – O Confronto Final, com a ótima cena em que bate de frente com seu amor impossível: Jean Grey. Em X-Men 2, ainda o melhor da franquia, ele dava amostras da agressividade que só nesse ano pudemos acompanhar.

Só que é bem claro que, mesmo nas menores participações, a importância e o reconhecimento entre ator e personagem era genuíno, a exemplo da ótima fala única em Primeira Classe (“Go fuck yourself”) ou da fuga esmagadora em Apocalipse. Momentos que facilitaram bem a vida dos diretores e roteiristas, já que não precisaram explicar muita coisa e contaram com a identificação imediata da plateia na criação de ótimas participações.

E se alguém ainda tem qualquer esperança de ver Jackman de volta com suas garras, a possibilidade é descartada. Ele deixou isso claro em mais de uma entrevista, como a que deu a Danilo Gentili no programa The Noite de segunda-feira (6). O que não é de todo uma má notícia quando você analisa a possibilidade de termos um novo tipo de Wolverine nos cinemas. A personagem Laura/X-23 apresentada em Logan é um ótimo caminho para isso.

De qualquer forma, valeu, Hugh.

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