Dólar fecha em alta pelo 2º dia com dúvidas sobre permanência de Levy

Dúvidas sobre a permanência do ministro Joaquim Levy à frente da Fazenda deram força ao dólar nesta segunda-feira (19), apesar de a moeda americana ter reduzido a alta sobre o real no final da sessão.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 1,37%, para R$ 3,894 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, subiu 0,12%, a R$ 3,878. Ambas as cotações chegaram a operar acima de R$ 3,90 ao longo do dia.

O dólar avançou sobre 23 das 24 principais moedas emergentes do mundo, refletindo renovadas preocupações com a crise global após a China reportar crescimento de 6,9% entre julho e setembro deste ano. Foi o pior desempenho trimestral desde primeiro quarto de 2009. Entre as dez principais divisas do globo, o dólar subiu sobre nove -a exceção foi a libra.

Internamente, o mercado digeriu a entrevista do presidente do PT, Rui Falcão, à Folha de S.Paulo, na qual defende a saída de Levy do cargo caso o ministro da Fazenda não concorde com mudanças que deveriam ser feitas na política econômica da presidente Dilma Rousseff.

Dilma discordou de Falcão e disse que Levy fica no cargo. A possibilidade de troca do ministro da Fazenda tem gerado especulações no mercado financeiro há meses, diante da dificuldade enfrentada pelo governo para aprovar medidas de ajuste fiscal, apesar da reforma ministerial anunciada pela presidente no início do mês.

Na última sexta-feira, por exemplo, o dólar comercial intensificou a alta sobre o real nos últimos minutos de negociações com rumores de que Levy pediria demissão à presidente Dilma em reunião que foi realizada naquela noite -o que não aconteceu.

O Banco Central deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários para estender os vencimentos de contratos de swaps cambiais que estão previstos para o próximo mês. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 512,10 milhões.

No mercado de juros futuros da BM&FBovespa, o contrato de DI para janeiro de 2016 caiu de 14,314% para 14,290%, enquanto o DI para janeiro de 2021 apontou taxa de 15,810%, ante 15,760% na sessão anterior.

AÇÕES INSTÁVEIS

Na Bolsa, o Ibovespa avançou 0,45%, para 47.447 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,961 bilhões -o montante foi inflado pelo vencimento de opções sobre ações (quando termina o prazo de contratos que apostam no valor futuro dos papéis), que girou R$ 2,47 bilhões.

O índice mostrou instabilidade durante o dia, acompanhando o clima misto nos principais mercados acionários internacionais: na Europa tiveram leve alta e, nos Estados Unidos, ficaram perto da estabilidade.

As ações preferenciais da Vale, mais negociadas e sem direito a voto, caíram 3,09%, para R$ 14,72, apesar de dados operacionais positivos terem sido divulgados pela manhã. A companhia teve recorde de produção de minério de ferro no terceiro trimestre deste ano. Os papéis ordinários da mineradora, com direito a voto, recuaram 3,37%, a R$ 17,80 cada um.

No sentido oposto, o avanço das ações de bancos ajudou a sustentar o desempenho positivo do Ibovespa. Este é o setor com maior peso dentro do índice. O Itaú Unibanco ganhou 2,38%, enquanto o Banco do Brasil subiu 4,42%. Já o Bradesco teve leve perda de 0,14%.

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