Coadjuvantes que roubam a cena e o Oscar – Cinefilia com Vinícius Lemos

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Você pode até não saber explicar, mas vai se lembrar de algum filme no qual um personagem coadjuvante te cativou mais que o protagonista. Pois entre os nove indicados ao Oscar de Melhor Filme, dois deles têm coadjuvantes mais interessantes que seus personagens principais. Fora um monte de outros papéis memoráveis com menos tempo de tela que os cabeças da trama.

Em Moonlight – Sob a Luz do Luar, a complexidade do personagem Juan e o trabalho impecável de Mahershala Ali, renderam ao ator uma indicação ao Oscar de Ator Coadjuvante. Merecida, já que ele basicamente sedimenta o longa-metragem em seus primeiros minutos e chama a atenção da plateia num misto de carisma e sabedoria das ruas. Ele aparece no primeiro terço da trama e você sente falta do personagem até o final da história.

É o que acontece com Hugo Weaving em Até o Último Homem. O ator interpreta um ex-combatente da 1ª Guerra Mundial arrasado psicologicamente pelo conflito. Weaving consegue dar peso ao personagem, que é pai do protagonista. Só que ele não teve sorte e não foi lembrado pela Academia nas indicações em 2017.

Matthew McConaughey em O Lobo de Wall Street é uma mistura desses dois casos. Com umas batidas no peito, uma música estranha e malandragem de sobra, a participação do ator marca. Ele fica em cena uns dez minutos e você se lembra dele até o final de um filme de três horas de duração e com Leonardo DiCaprio como protagonista. Só o Oscar não se lembrou desse trabalho em 2014. Caso o contrário, McConaughey teria sido indicado a dois prêmios em um mesmo ano, já que venceu por Clube de Compras Dallas.

Por falar em coadjuvantes premiados e amados pelo público, o caso mais notório talvez seja a Heath Ledger e seu Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas. O trabalho de uma vida e uma das maiores atuações de todos os tempos, o mergulho do ator no papel é algo visto poucas vezes de geração em geração. Se o Morcegão se tornou menor em seu próprio filme, sorte do conjunto, já que esse foi o único filme de herói que, certamente, você pode dizer que está acima do rótulo e se tornou um verdadeiro clássico policial moderno. Valeu um Oscar póstumo para Ledger, que morreu antes do filme estrear.

“Oscarizado” também foi J.K. Simmons no filme Whiplash – Em Busca da Perfeição em 2015, num papel que rouba a cena como um professor de música sádico. Enquanto no lado oposto do espectro de personalidade, esteve a gracinha Anna Paquin em 1994, quando também venceu o prêmio da Academia de Coadjuvante com apenas 11 anos pelo filme O Piano.

A lista não tem fim e no próximo dia 26, poderemos saber se Mahershala Ali vai ficar marcado como “coadjuvante-rouba-cena” esnobado ou reconhecido com um Oscar.

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