Casos de chikungunya triplicam em Minas Gerais

Em meio ao surto de febre amarela, as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti também preocupam Minas Gerais. Boletim divulgado ontem pela Secretaria de Saúde (SES-MG) indica que os casos de chikungunya triplicaram nos 23 primeiros dias de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado (107 contra 36). O ritmo de notificações de dengue, embora abaixo das registradas no início de 2016, ano de pior epidemia de dengue da história de Minas, também preocupa: o total dobrou em relação à semana anterior e chegou a 2.469 casos. Uma morte pela doença já está investigação.

Em todo o ano passado, Minas registrou 537 casos de chikungunya. Para 2017, tanto a SES-MG quanto o Ministério da Saúde já manifestaram preocupação com a doença por causa da circulação do vírus e da baixa imunidade. “Minas é uma área susceptível para circulação do vírus, tendo em vista as condições ambientais favoráveis, a manutenção do vetor e a população sem proteção imunológica”, informou a SES-MG por meio de nota.

A preocupação é reforçada por especialistas. “A maioria da população não foi afetada. Então, não existe imunidade”, disse o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano. Os meses de março e abril são os que mais concentram casos da doença: no ano passado, por exemplo, houve 92 e 91 notificações nesses meses, respectivamente.

Em relação à dengue, a SES-MG ressaltou uma redução dos casos em comparação com janeiro de 2016, mas ponderou que vários fatores podem influenciar o ritmo de notificações. “De acordo com a série histórica de casos em Minas Gerais, entre os meses de dezembro e maio ocorre um maior número de casos. Vários fatores podem influenciar o aumento de casos, como vírus circulante, temperatura e regime de chuvas, por exemplo”, informou a SES em nota.

O balanço da secretaria indica alta no ritmo de notificações de dengue ao longo de janeiro: no dia 13, havia 193 pessoas com suspeita da doença; uma semana depois, o total subiu para 1.162 até chegar no dia 23 a 2.469 casos. No ano passado, de severa epidemia, Minas registrou 58.422 casos prováveis e 53 mortes suspeitas em janeiro. Além de dengue e chikungunya, houve registro de 46 casos de zika este ano.

Para Estevão Urbano, a alta nas notificações de chikungunya deve servir de alerta. “Todos têm que ter cuidados e reforçar medidas para exterminar os criadouros, usar mosquiteiros, repelentes. Além disso, tem que ter a comunicação do poder público”, cobrou. O infectologista espera que o surto de febre amarela chame a atenção de moradores e autoridades para o combate aos vetores das doenças. “O foco é o mesmo, exterminar o mosquito. Então, o temor da febre amarela pode ajudar a conter os mosquitos”, avaliou.

 

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