Bancos também sofrem com a crise, diz Roberto Setubal

Ainda que o Itaú tenha acumulado um lucro de 23,35 bilhões de reais em 2015 – o maior já apresentado por um banco, segundo dados da Economatica – para seu presidente, Roberto Setubal,  o negócio não está blindado da crise.

“Sem dúvida, os bancos também perdem na recessão. A carteira de crédito não cresce e a inadimplência sobe”, disse em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (2), em São Paulo.

Segundo Setubal, o resultado “bastante bom” da empresa para o ano passado (15,6% maior do que o de 2014) é fruto de melhorias em eficiência e reposicionamento de risco, feitas antes da complicação do cenário econômico.

“São questões anteriores à crise. Ao fazer um empréstimo, o banco tem uma receita contratada por vários meses, o que gera uma inércia maior do que em outros setores. A nossa receita cai à medida em que os empréstimos diminuem, o reflexo não é imediato”, disse.

Indicadores

De fato, o índice de inadimplência do Itaú para dívidas vencidas acima de 90 dias cresceu. A taxa ficou em 3,5% em dezembro, dois pontos percentuais acima do terceiro trimestre e também do mesmo mês de 2014.

“E com a inadimplência, também aumenta o nível de perdas”, acrescentou o executivo. Em 2015, a despesas do banco com provisões para devedores duvidosos, as PDDs, ficaram em 22,9 bilhões de reais – valor 26,7% maior do que o gasto em 2014.

Para este ano, o banco prevê que a cifra irá crescer novamente e ficar entre 22 e 25 bilhões de reais.

Crédito

Já a carteira de crédito expandida (que inclui avais, finanças e títulos privados) fechou em 585,5 bilhões de reais, o que representa uma queda de 0,9% ante o trimestre anterior, mas um aumento de 4,6% na comparação anual.

Descontados os efeitos da variação cambial, entretanto, a carteira se manteve estável na comparação trimestral e encolheu 2,9% no ano.

Na expectativa de Setubal, os empréstimos concedidos pelo Itaú a empresas e pessoas físicas podem ficar menores ao longo deste ano, mas os lucros do banco continuarão consistentes.

“Ainda que o banco não cresça (em termos de carteira de crédito), a qualidade do resultado continuará bastante sólida. Temos toda a parte de seguros e meios de pagamento, que são fontes de receita que tem pouco a ver com a crise, e vão continuar se expandindo”, afirmou.

exame.com

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