Aposentadoria (ou Longevidade): o que você vai ser quando você envelhecer?

Especialista orienta sobre os melhores caminhos quando o assunto é a construção de patrimônio a longo prazo.

Há momentos na vida que nos questionamos sobre as nossas construções. Quem sou eu? Qual meu propósito no mundo? Faz sentido o que estou fazendo na minha profissão? Nas minhas relações? Com o meu corpo? Com a minha espiritualidade? E com as finanças não é diferente. O que eu construí até hoje?

De acordo com Karoline Cinti, planejadora financeira, consultora de negócios e sócia-fundadora da Mentory, empresa de Uberlândia (MG) especialista na área, principalmente, por volta dos 35 a 50 anos, bate o sentimento de finitude, e com ele a preocupação em realizar os sonhos e as necessidades pendentes, sejam eles materiais ou não. Dentre eles, é comum aparecer a questão de como se preparar para a fase da aposentadoria.

“As escolhas que fazemos no nosso cotidiano, conscientes ou inconscientes, em relação ao nosso estilo de moradia, de locomoção, de saúde, de lazer, de proteção, entre outros, trazem consequências não só no saldo da conta corrente no final do mês. No longo prazo, interfere diretamente na criação ou não de patrimônio e riqueza”, diz.

Segundo a especialista, se na nossa relação de despesas, existem pagamentos de financiamentos ou consórcios imobiliários e de veículos, e contribuições para previdências, além dos valores destinados para reservas financeiras, por exemplo, em dois, cinco, 10 ou 30 anos, haverá um saldo acumulado positivo no nosso patrimônio. “Não cabe neste momento, tratarmos aqui sobre a eficiência de cada produto financeiro. Importa mostramos que, ao contrário do fluxo de caixa, dificilmente paramos para calcular nossa foto patrimonial, isto é, o quanto temos acumulado de bens e direitos e/ou de saldo devedor e obrigações, e se esses valores são suficientes ou não para os nossos objetivos”, enfatiza.

Diante disso, Karoline Cinti responde:

1) Quais as dúvidas mais frequentas quando o assunto é previdência?

K.C.: Em relação à previdência, é importante separarmos o conceito do produto. Previdência significa previsão ou prevenção, que nada mais é do que tentar evitar previamente determinadas situações indesejadas. Quando ligada à aposentadoria, tem por objetivo prevenir a falta de renda no final da fase produtiva. Assim, a dúvida maior quando o assunto é aposentadoria, é como se preparar para ela. Como fazer para guardar dinheiro, quanto guardar e onde aplicar.

Nesse segundo momento, surgem as dúvidas em relação aos veículos ou produtos, cujos mais conhecidos são as previdências públicas e as previdências privadas aberta e fechada. Se faz sentido contribuir com o INSS ou não, no piso ou no teto… Se vale a pena contribuir com a previdência (fechada) da empresa ou resgatar o montante. E ainda se compensa contratar a previdência privada de um banco ou seguradora.

2) Existe fórmula pronta ou ideal para se descobrir o melhor plano a fazer?

K.C.: Planejamento financeiro é sempre pessoal. O quanto é necessário reservar e guardar para a aposentadoria está diretamente ligado à idade com a qual a pessoa pretende se aposentar, sua idade atual, qual o estilo de vida que se pretende ter no futuro e a expectativa de vida. O contexto profissional, valor e origem da renda também interfere no cálculo.

Pessoas que trabalham no regime CLT terão direito ao saque do fundo de garantia no momento da aposentadoria, o que não acontece com servidores públicos, autônomos e empresários. Vale lembrar que todos que exercem uma profissão são segurados obrigatórios do INSS, quem não está contribuindo está inadimplente com o instituto. Profissionais que recolhem o INSS, asseguram uma renda na perda da capacidade de trabalho, por motivos de doença, invalidez, velhice ou morte, hoje, até um teto de pouco mais de R$ 5.500. Quanto mais a renda se afasta desse teto, maior precisa ser o esforço de poupança para manter o mesmo padrão de vida.

3) Está claro que o plano deve ser feito analisando a situação individual, mas existem referências gerais no mercado?

K.C.: Sim. Segundo alguns dos principais estudos, se guardamos 10% a 20% da nossa renda bruta ao longo da nossa vida produtiva, conseguimos nos aposentar com o mesmo padrão de vida. Vale destacar que essa referência é para uma renda complementar, considerando uma aposentadoria aos 60 anos e expectativa de vida de 80 anos.

Inclusive, existe um indicador de saúde financeiro chamado Patrimônio Esperado, que é um valor de referência de quanto uma pessoa deveria ter acumulado de patrimônio, de acordo com sua idade e renda. O cálculo é feito multiplicando a renda anual da pessoa pela sua idade e o resultado dividido por 10. Atenção, porém, aos bens de uso e de investimento. Os primeiros são aqueles que usufruímos, como a casa de moradia e o carro, e geram despesas. Enquanto os segundos, geram renda. É normal as pessoas atingirem 100% do patrimônio esperado na metade da vida produtiva com os primeiros bens de uso e reserva de liquidez. Aconselhamos elas a dobrarem esse patrimônio com bens de uso até o momento da aposentadoria.

4) A falta de informação acessível ou orientação são os maiores problemas nessa questão então?

K.C.: Infelizmente, as pessoas por falta de orientação acabam contratando produtos de acordo com o que sobra, e não com o que precisam. Aí, a frustração ao descobrir que o valor não dá no momento futuro será grande. Envelhecer já nos trará novos desafios diante da possibilidade de vivermos mais de 100 anos e saudáveis. A imagem da aposentadoria que conhecemos, do velhinho sentado em casa no sofá, não existe mais. E, com tanta coisa para pensar e ressignificar nessa nova fase, a falta do dinheiro não precisa ser mais uma questão.

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