Aparelho detecta rastros de tumores no sangue

Um pequeno aparelho, parecido com os utilizados para medir o nível de coagulação do sangue, poderá salvar milhões de vidas com a detecção precoce do câncer. Batizado de Miroculus, o dispositivo exige apenas um smartphone e cerca de um mililitro de sangue para identificar casos da doença.

O engenheiro chileno Alejandro Tocigl está desenvolvendo esse instrumento junto à Miroculus, start-up homônima que fundou em San Francisco, no Estado americano da Califórnia. Para fazer isso, o Miroculus realiza uma análise dos microRNAs do paciente. Os microRNAs são pequenas moléculas que funcionam como mensageiras. Elas ajudam as células a produzirem proteínas a partir das instruções contidas no DNA.

Tocigl estuda principalmente o câncer de estômago, um dos que causa mais mortes no Chile e em outros países emergentes. “Cada tipo de câncer tem uma ‘impressão digital’ única de microRNA”, afirma o pesquisador. “O dispositivo detecta as moléculas alteradas e, por meio de um software, associa o resultado à uma determinada doença”, completa. Segundo ele, com isso, pode-se saber se e qual órgão está comprometido.

Caso angelina. O engenheiro lembrou do caso da atriz Angelina Jolie, que tem a mutação de um gene que favorece o aparecimento do câncer e que retirou as mamas, os ovários e as trompas para diminuir os riscos de desenvolver a doença.

Espera-se que o aparelho esteja disponível em 2018 e seja muito mais barato, simples e acessível do que os instrumentos já disponíveis no mercado para detectar câncer.

O sistema conta com uma placa onde a amostra de microRNA do paciente reage com compostos químicos criados pela equipe do Miroculus.

“A detecção precoce e um tratamento oportuno aumentam a taxa de sobrevivência em até 90%”, disse Alejandro Tocigl na conferência organizada pela Fundação Imagem do Chile, que promove o país no exterior.

O projeto conta com a participação de engenheiros, bioquímicos e biólogos moleculares e é desenvolvido no Instituto Nacional do México, no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, na Universidade Católica do Chile e em dois hospitais na Letônia e na Lituânia; na próxima fase, será estendido à Guatemala e à Colômbia, entre outros países.

Como funciona

A pessoa que opera o Miroculus extrai uma amostra de sangue do paciente. Essa amostra deve ser inserida numa placa que fica dentro de um cilindro de plástico feito numa impressora 3D. Na parte de cima do cilindro, há um encaixe para smartphone.

Por meio de um app que usa a câmera do celular, o Miroculus identifica a presença de 96 diferentes tipos de microRNAs.

Eles podem apontar a presença de câncer de fígado, mama, pâncreas e pulmão. O diagnóstico em cerca de uma hora é uma das vantagens da nova tecnologia.

Outra vantagem é o fato de seu custo de fabricação ser 50 vezes menor do que o de outras tecnologias usadas hoje com o mesmo fim.

 Mulheres entre 30 e 50 anos em risco

São Paulo. Cada dia mais comum, principalmente entre as mulheres, o câncer de tireoide ainda não tem uma causa bem-determinada na literatura médica. Alguns estudos, no entanto, apontam que fatores hormonais e alimentares estão ligados ao desenvolvimento desse tipo de tumor.

“A síntese dos hormônios produzidos pela tireoide necessita da presença do iodo. A deficiência ou o excesso dele na dieta podem estar associados a um maior risco de desenvolvimento desse tipo de câncer”, explica Mariana Laloni, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

O câncer de tireoide se manifesta como um nódulo no pescoço e pode ser detectado em um exame clínico. Na maioria das vezes, ele é assintomático e somente o nódulo vai indicar a presença de alguma doença.

No entanto, 90% desses nódulos são benignos, e o diagnóstico do câncer só é possível a partir de uma biópsia feita diretamente nele. São considerados fatores de risco histórico familiar e tratamentos com radiação para cabeça, pescoço e tórax.

OTempo

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