A Doença de Alzheimer – Saúde Mental com Dângela Lassi

Como se comporta o principal tipo de demência e como prevenir de forma correta a doença

 

Entende-se por demência o comprometimento de várias funções cerebrais ao mesmo tempo como memória, atenção, orientação e linguagem, denominadas funções cognitivas. Com o passar da idade há uma lentificação destas funções e certa dificuldade de apreender, sem necessariamente representar uma doença ou mesmo um quadro demencial.

A doença de Alzheimer é o tipo mais comum de demência, representando metade dos 1,5% de casos de demência que existem na população de 65 anos. Foi descrita em 1907 por Alois Alzheimer, um psiquiatra alemão.  Inicia-se, em geral, após os 60 anos ; é rara antes  e se torna mais comum com o avançar da idade. Ocorre mais em mulheres do que homens, e um dos fatores de risco é ter familiares próximos com a doença. Ela é caracterizada por uma atrofia cerebral progressiva e degeneração dos neurônios inicialmente em áreas responsáveis pela memória e que se alastra por outras áreas responsáveis pelas demais funções cognitivas.

Inicialmente o que mais chama a atenção é o déficit de memória recente, como esquecer onde deixou objetos, deixar panela queimar no fogo, esquecer de uma visita do dia anterior.  Evolui gradualmente para dificuldade de executar algumas tarefas complexas como fazer atividades de banco ou compras em mercado, o que por vezes leva a sintomas depressivos pelo reconhecimento da perda de autonomia; dificuldade de reconhecer pessoas ou objetos familiares. Pode evoluir para sintomas mais graves, de acordo com o avanço do acometimento cerebral, chegando a apresentação de delírios ou alterações de comportamento.

Com o envelhecimento da população devido a melhores condições sócio-econômicas, é cada vez mais comum que se viva mais e, portanto, se exponha a maiores chances de se desenvolver estes prejuízos. Por isso, constantes estudos são realizados na tentativa de prevenir e tratar esta doença de que, até hoje, não se conhece a cura. Os medicamentos disponíveis conseguem melhorar alguns sintomas e desacelerar sua progressão. O tratamento é em geral realizado pelo neurologista especializado, mas muitas vezes compartilhado com o psiquiatra por tratar de uma doença que pode se apresentar com sintomas depressivos ou ansiosos, e até mesmo com sintomas psicóticos como delírios e alucinações, além de agitação ou agressividade.

O foco atual de muitas pesquisas é a prevenção da doença. Já se demonstrou que um dos fatores de maior relevância é o estímulo cognitivo, como aprender novas línguas, aprender a tocar instrumentos musicais, ler bastante, estimular o raciocínio matemático. Estes estímulos funcionam como uma “musculação” para o cérebro, buscando novas conexões neurais. Outro fator importante é a alimentação adequada, com vitaminas, minerais e ácidos graxos utilizados pelo cérebro nas mais diversas funções, como ômega 3. Nesse caso, a prevenção ainda é o melhor remédio.

 

Dângela Lassi
Médica Psiquiatra

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