O panorama do varejo – Benito Salomão

O ano de 2017 avança e os problemas econômicos – embora haja uma pequena injeção de otimismo na economia – persistem. Há uma pequena esperança de que este ano seja melhor do que o anterior, ancorada na resolução de inúmeros problemas macroeconômicos, tal como, contas externas, taxa de juros, câmbio e inflação, todos estes agregados estão voltando para o lugar, isto no entanto, ocorreu graças as expectativas dos agentes de que o governo vá solucionar o impasse fiscal, ou seja, caso estas expectativas se frustrem, haverá uma nova onda de pessimismo que contaminará a macroeconomia.

Mas hoje, o maior desafio brasileiro é a microeconomia, que dada a flagrante perda de produtividade e competitividade dos nossos setores, somadas a limitações do lado da demanda, amplificadas pelo auto desemprego e pelo excessivo endividamento e inadimplência que persistem, de que forma a microeconomia reagirá ao longo de 2017?

Dentre estas preocupações microeconômicas, vale ressaltar a importância do varejo, por ser o setor intensivo em mão de obra e, portanto, cujo desempenho ruim afeta decisivamente o mercado de trabalho. Em 2015 o comportamento não foi bom, e em 2016 mais uma vez deixou a desejar, apresentando queda recorde de – 6,2%. O Natal principal data para o setor, ficou também comprometido com um comportamento negativo, as vendas apresentaram queda em relação a dezembro de 2015 de – 4,9%. Também caíram em relação a novembro, apresentando queda de – 2,1%.

No que se refere aos setores do comércio varejista, é importante salientar que todos apresentaram comportamento negativo em 2016, mas esta tendência foi mais evidente em setores de bens de consumo duráveis. A maior queda foi verificada no setor de livros e papelaria – 16,6%, seguido pelo setor de veículos e motos – 14%, eletrodomésticos – 12,8%, informática – 12,3% e móveis com – 12,1% de queda.

Setores de bens de consumo corrente, também apresentaram queda, no entanto, mais suave, foi o caso do setor farmacêutico, cujo o desempenho foi de – 2,1% e o de supermercados, com queda de – 3,1%. Diante disto, é possível fazer perspectivas para estes setores? Dado que houve por dois anos queda do consumo, é inevitável que haja consumo reprimido nas famílias brasileiras, sendo assim é possível haver alguma margem para que em 2017 alguns setores saiam do desempenho negativo e passem para o positivo, será o caso, certamente dos setores de farmácia e supermercados.

Outros fatores podem servir para melhorar o consumo nestes setores em 2017, medidas como o direito ao saque do FGTS, a obrigatoriedade do cadastro positivo devem repercutir nas vendas, no entanto, isto se dará apenas no segundo semestre do ano. Já os setores mais atingidos pela crise, devem apresentar sua recuperação de forma mais lenta, em geral, dependem de um nível de crescimento do emprego e da renda mais robustos e, principalmente, dependem do crédito, ainda é prematuro prever o comportamento deste mercado ao longo deste ano, principalmente devido ao nível da inadimplência, sabidamente alto e que afeta a demanda por crédito para novo consumo.

A inadimplência atinge hoje segundo a Serasa mais de 50 milhões de pessoas, cujo as dívidas atrasaram em mais de 90 dias, em geral, com modalidades de crédito de altíssimo custo, como cartão de crédito e cheque especial, e consiste hoje no grande limite para o crescimento das vendas em 2017.

Benito Salomão é economista e mestre em economia pela Universidade Federal de Uberlândia

 

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