77 anos do maior de todos, Al Pacino – Cinefilia com Vinícius Lemos

Ao 77 anos, Al Pacino reúne uma biografia invejável com dezenas de obras no cinema e TV.

Nessa semana, o maior de todos os atores do Cinema (pelo menos pra mim) completou 77 anos. O Internet Movie Database (IMDb) credita a ele 56 trabalhos ao longo da carreira, entre filmes e produções de TV. São sete indicações ao Oscar, de ator e coadjuvante, e um prêmio da Academia vencido. Ele também já ganhou um Framboesa de Ouro – bastou trabalhar com o extremo negativo de qualidade, Adam Sandler -, mas recebeu até um Grammy em 2001 por um álbum falado com sonetos de Shakespeare. Entre os filmes do cara estão mais ou menos uma dezena de clássicos incontestáveis desde que foi o filho mais novo da família Corleone, aos 32 anos. Vamos falar de Al Pacino, aniversariante do último dia 25 de abril.

Confesso que o grande momento do ator na minha humilde opinião aconteceu no ano de 1997, quando Pacino seguiu o caminho de outros grandes atores e viveu o Capeta em pessoa no extraordinário Advogado do Diabo. O quase monólogo nos 20 minutos finais do longa de Taylor Hackford, baseado no livro de Andrew Neiderman, é forte, sarcástico e profano. Enquanto o Diabo em carne, osso e fúria tenta ludibriar o jovem advogado vivivo por Keanu Reeves, você vai anotando uma dezena de frases tão boas, que daqui a pouco quer jogar no time do mal. Roteiro bom sim, mas sem a entonação do mestre Pacino, a coisa poderia ser apenas um monte de citações de efeito. Não são – e ainda tem aquela última fala, “Vaidade, definitivamente meu pecado favorito”, a qual sem a risadinha não teria o mesmo impacto.

Aliás, os trejeitos de Alfredo James Pacino são identificáveis a quilômetros de distância. Fora a voz que, com o tempo, ficou mais marcante. Sendo assim, é engraçado perceber que no filme que lhe deu o Oscar, Perfume de Mulher, em 1992, ele tem sim frases guardadas por muitos, mas nada que se iguale à interjeição “Ho ah!”, usada em diferentes momentos do longa.

O que mais gosto na atuação de Pacino é a intensidade colocada a cada novo papel. Pode ser algo que venha a acontecer em arroubo ou mesmo aos poucos. Veja, por exemplo, como em O Poderoso Chefão Michael Corleone começa como um jovem educado, mas é o responsável por um massacre mais à frente ou mesmo, por suas próprias mãos, mata dois inimigos de maneira violenta em um restaurante. Não que ele não possa ser visto em papéis mais amáveis, a exemplo do adorável Frankie & Johnny, no qual divide a tela com a lindeza Michelle Pfeiffer.

Aliás, a comédia romântica de 1991 foi a segunda colaboração da dupla, depois do (talvez) papel mais identificável de Pacino, Scarface, de 1983. Pra mim, esse é o resumo de toda a carreira de Al: um papel forte, um trabalho limítrofe entre o exagero e o intenso, um antiheroi, as frases clássicas e a câmera seduzida pelo ator. Todo o excesso de Scarface cabe dentro da atuação de Al Pacino aqui, no papel que me parece o definito de sua carreira. Aqui, mais do que nunca, nas quase oito décadas do ator, foi criado um ícone.

Realmente, todo cão tem seu dia. Nada mal para um cara que já foi sem-teto, trabalhou como zelador e garçom e começou a carreira no Cinema não muito jovem, aos 29 anos, com o filme Uma Garota Avançada. Seguiria no currículo de Pacino filmes como Serpico, Um Dia de Cão, Fogo Contra Fogo e O Informante, para ficar nos mais óbvios.

Parabéns não só pelo aniversário, mas pela excelência na carreira – mesmo tendo trabalhado com Sandler.

Vinícius Lemos

Veja o trailer do mais recente trabalho do ator, em 2016

Share on Facebook0Tweet about this on Twitter0Share on Google+0Share on LinkedIn0Print this page