5 filmes que deveriam ser mais conhecidos

Bom é quando a gente é surpreendido por filmes que você não dava nada. Ruim é perceber que você poderia ter assistido àquela ótima produção muito antes e por qualquer motivo a deixou de lado. Isso acontece sempre e os exemplos se repetem – e textos como esse poderiam rolar quase que mensalmente.

Poderia falar do filme Maggie, um drama de terror encabeçado por Arnold Schwarzenegger e Abgail Breslin. Filme pouco visto e de grande qualidade. Ou mesmo Extinction, outro na mesma pegada, entre drama e terror, que teve pouco público e merecia mais audiência.

Mas prefiro aumentar um pouco essa lista e indicar outros 5 filmes que deveriam ser mais conhecidos:

 

O Convite (The Invitation, 2015)

Às vezes você não precisa de uma grande história para fazer um grande filme, desde que haja uma execução fora do comum. Pois é exatamente o que temos aqui. O roteiro de Phil Hay e Matt Manfredi esconde muitos e muitos segredos sobre um jantar que pretende reunir amigos depois da separação traumática de um casal desse núcleo de amizades.

Há uma série de perguntas no ar, mas tudo é respondido com cuidado e no momento certo, o que faz do primeiro e segundo atos do longa pura agonia. Confesso que o terceiro ato parece de outro filme, mas acaba ornando – a cena final, então, é uma pequena e irônica bizarrice que se torna uma expansão daquele microcosmo. Bom elenco.

 

Um Senhor Estagiário (The Intern, 2015)

Os filmes de Nancy Meyers, normalmente, se passam em ambientes requintados e até certo ponto esnobes. Foi com certa surpresa que percebi que em Um Senhor Estagiário há sim espaços de gente com grana, mas que tudo parece muito mais acolhedor – até a belíssima luz da empresa de vendas pela internet é mais hospitaleira.

A empresária interpretada por Anne Hathaway é apresentada com uma verdadeira babaca. Chega a ser difícil ter qualquer aproximação com a personagem, que só ganha alguma empatia por estar na pele de Anne. Ela basicamente faz uma Miranda Priestly em início de carreira – a atriz teve boas aulas com Meryl Streep em O Diabo Veste Prada. A personalidade da chefe fica ainda mais latente por ter uma família de comercial de margarina e funcionários muito carismáticos. O melhor deles é o estagiário do título, com um Robert De Niro arejado como há muito tempo não se via. Sem se levar a sério, o ator é a alma do filme em um personagem escrito com cuidado por Meyers. Com uma discussão ou outra sobre o lugar da mulher na sociedade e homens de verdade, é, no fim das contas, uma produção que te abraça. Vale a conferida.

 

Houve Uma Vez Dois Verões (Idem, 2002)

Jorge Furtado é, facilmente, uma dos melhores roteiristas do Cinema brasileiro. Mas a estreia do cara em longas, há 15 anos, ainda é um dos seus melhores filmes. Houve Uma Vez Dois Verões é um filme divertido, leve, às vezes bobo como os adolescentes que ele mostra, mas num todo é uma produção magnífica sobre a cabeça de um jovem que não tem o que fazer na maior praia do mundo e, de repente, está com a cabeça cheia por causa de uma paixão.

Com muitas reviravoltas, o filme é pra ser assistido e só discutido com quem já viu o final surpreendente. O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi a criatividade de Furtado em criar uma trama intrincada (ao mesmo tempo suave) baseada em um fato (que também não vou revelar) que rolou no fim da década de 1990. Destaque para linda e carismática Ana Maria Mainieri, a Roza (com ‘z’).

 

Ligado em Você (Stuck on You, 2003)

Talvez o filme mais popular dessa lista. Mas é engraçado como os irmãos Bobby e Peter Farrelly, conhecidos pela escatologia e pela mão pesada nas piadas como em Debi & Lóide, conseguem dar uma freada sem se desligarem totalmente dessas características e ainda se saem com uma produção emocionante. Sério. Acho que no final da história dos irmãos siameses Matt Damon e Greg Kinner os diretores, à sua maneira, conseguem causar emoção genuína – os planos que fecham o filme, com os irmãos se apontando, são especialmente interessantes e simples.

Fazendo da deficiência física dos personagens alvo de piadas, mas também transformando o problema em soluções das mais criativas para a vida dos próprios, não é à toa que há tamanha identificação com os personagens, que facilmente estão entre os melhores já criados pelos Farrelly.

 

Na Mira do Chefe (In Bruges, 2008)

OK, esse filme faturou US$ 33 milhões ao custo de US$ 15 milhões, mas tenho certeza que muita gente não vai conhecer. Na Mira do Chefe, estreia do diretor e roteirista Martin McDonagh, é um trunfo de elenco. O destaque absoluto é Colin Ferrell, impossível não ser absorvido pelo trabalho do ator, que mescla drama e comédia precisamente. Mas não se esqueça de perceber como Brendan Gleeson nem faz força para ser o parceiro do matador novato de Ferrell, tamanha a segurança do veterano. Há ainda um Jordan Prentice inspirado e com um tom de fala mais que adequado a seu personagem cansado e chapado. Além de Ralph Fiennes em um trabalho de impacto.

Amarrando todo mundo está o roteiro redondo e inteligente de McDonagh – além de muito engraçado. Essa é daquelas pequenas pérolas a serem descobertas aqui e ali em meio a centenas de lançamentos gigantes que não brilham. Veja hoje.

 

Vinicius Lemos
Blog Cinefilia

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